José Pacheco: “Procurem nas escolas professores que ainda não tenham morrido”

José Pacheco, professor, pedagogo, defende uma escola sem turmas, sem ciclos, sem testes, sem reprovação, sem campainhas. Aos críticos, pede alternativas e conta histórias de sucesso. Fundou um projeto inovador na Escola da Ponte, em Portugal, em 1976, quando percebeu que não podia continuar a dar aulas. Derrubou paredes, juntou alunos, ergueu um método em que quem aprende define o seu ritmo de aprendizagem. Foi ameaçado, ouviu coisas feias, disseram-lhe que quando fosse mais velho iria ganhar juízo. Tem agora 65 anos e não mudou de ideias. Continua a acreditar que a escola são pessoas e não um edifício de concreto. Não percebe a insistência nos exames, diz que se confunde avaliação com classificação, refere que as reprovações comprovam que o sistema não funciona.

O pedagogo corre o mundo em palestras e conferências sobre educação e métodos de ensino. É considerado uma inspiração para milhares de professores. Vive no Brasil há 12 anos, onde acompanha mais de cem projetos educativos.

A Escola da Ponte, em Santo Tirso, Portugal, fundada por José Pacheco em 1976, começou por suscitar desconfiança, mas hoje é considerada um modelo educativo bem sucedido. Não existem turmas, não há testes. Os alunos aprendem ao seu próprio ritmo.

“São já muitas as escolas portuguesas que se inspiraram nas práticas da Ponte para mudar as suas práticas. (…) São muitos e diversos os caminhos de mudança, sendo urgente que os educadores compreendam o que significa o termo “currículo”. É preciso experimentar um novo modo de organização. (…) A velha escola há de parir uma nova educação.”

“Que rigor e que exigência existem num modelo educacional no qual alunos do século XXI são ‘ensinados’ por professores do século XX, que recorrem a práticas oriundas do século XIX?”, pergunta o professor e pedagogo, crítico do sistema educativo em Portugal.

José Pacheco nasceu no Porto, é mestre em Educação da Criança pela Universidade do Porto. Em 2004, foi eleito comendador da Ordem da Instrução Pública pelo então Presidente da República Jorge Sampaio. Foi eletricista, estudou engenharia e mudou-se para o ensino. Foi professor primário e universitário.

“As escolas são pessoas, mas o Ministério da Educação crê que uma escola é um edifício”, diz José Pacheco. “E uma crença não se discute, deve ser respeitada. Porém, crenças e ‘achismos’ não deverão ser suportes de política educativa. Alunos e professores não podem ser tratados como cobaias de laboratório.”

“Somos todos bons e maus alunos. Há boas e más práticas. E se identificamos necessidades especiais nos alunos, reconheçamos necessidade nos professores. Se é verdade que há dificuldades de aprendizagem, também haverá as de ensino. E não há alunos deficientes, mas práticas deficientes.”

Traduzido do Notícias Magazine.